sábado, 16 de outubro de 2010

Saudade e carinho

"Cartas em fundo de gavetas podem ser perigosas. Basta um desenho antigo, já amarelado, um perfil marcante como uma figura de proa avançando
pelo grande mar onde para sempre nos perdemos".
[Lya Luft]


Não quero te confessar que morro ao ver-te com outro alguém, também não quero dizer que, por vezes a minha boca tentou te dizer que ao meu lado você seria a pessoa mais feliz do universo! Essa sempre foi a minha missão e você sempre teve tanta certeza disso quanto eu, lá nos lugares mais profundos e recriminados por você e em você mesmo. Sabes que o meu amor foi só teu, mas me afogas dentro de si, me aprisiona e não me deixa sair, chora diante de mim, me acorrenta e grita socorro sem que eu possa te salvar! Os meus passos eu dei, um a um, mas você temeu cair no rio, não confiou na firmeza da ponte que eu construí pra você... Talvez, meu bem, tenhamos sido amaldiçoados com a felicidade de encontrar o amor em corpos errados.
A questão foi que eu passei tempo demais tentando dar nomes ao que não precisava em lugar de ir em frente e dar vida ao que precisava viver.
É que nós - as pessoas - temos a estranha maneira de complicar tudo com os nossos métodos e fórmulas infalíveis que não nos levam a lugar nenhum, nos mecanizam... não deixa transluzir. A questão é que era você, e é, e eu preciso fazer algo antes que o portal que dá acesso a essa nova dimensão se feche outra vez e me deixe no frio, do lado de fora.
De tanto temer errar eu acabo me esquecendo também de acertar, e querendo acertar eu quase deixo de ser eu mesma. Eu não quero dizer-te que penso em você a essas horas da madrugada, e com tanta falta que remói a garganta. É que eu quase me esqueço que com o tempo as pessoas acabam se esquecendo que o natural é envergonhar-se somente do que é indigno, mas o crucial é ser quem se é. E você sabe que eu tenho sentimentos, e é normal que eu esteja desejando muito, mas muito te ver a ponto de doer agudo, e talvez querer fugir.
Não se trata de querer despejar em você toda a carência que eu mesma dissimulo não ter.
É saudade, saudade e carinho, e só.

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